Segunda Pessoa

Desejo a todos um feliz ano novo. Às vésperas de um novo ano, colo a última postagem. Ela fecha um ano muito bom e um mês cheio de surpresas. Essa música é uma parceria minha com Bebel Bandeira. Que escreveu junto comigo esta canção e vai canta-la no trabalho que já está pra sair. Abraço a todos e feliz 2011.

(André Rodrigues / Bebel Bandeira)

É você que me fala baixinho tudo que não quero ouvir

Só você faz pensar no que sinto a noite antes de dormir

Revirar minha paz

Me enganar, dizer que quer mais

Muito mais que eu

Muito menos do que eu posso dar

Isso é você com tua voz magra a me dizer

Não sei dizer

Se isso sou eu ou se é você

Distintos sim

Igual é o fim.



Padecimento

(André Rodrigues)
Acordei pensando em ti, mas percebi
Você não estava ali, olhando para mim
Pensei no fim do meu amor
Que foi pesando ao se arrastar
Pensando em ficar
Mas sem ter forças pra lutar
Perdeu-se de mim
Eu queria te encontrar nas palavras que aprendi
Contracenar e decorar meu palco pra você
Assistir você me ver
Crescer pensando em te atender
Juntar meus sonhos com os teus
Realizar você em mim
Abro os olhos e você não está
Na minha frente a me olhar
Se você quiser eu vou te buscar
Penso nisso sem cessar


Um passo para a alforria

(André Rodrigues)


Nada de desculpas pra começar

Talvez nesse momento tão só

Melhor mesmo seja enganar-me

Finjo sorrisos verdadeiros e forçados

E em meio a pouca luz

Tento criar um momento que não me cabe

E em fugas noturnas

Noite adentro me distraio

Exaustivamente

Me livrando aos poucos de teus nós

Tentando tirar essa corda que tanto me sufoca

Mesmo sem sentir, mesmo sem pensar

É apenas algo preso ao meu pescoço

E que alguém há de tirar

Me libertar para aos poucos

Me amarra outra vez.

Gente


(André Rodrigues)

Ei menina, olhe pra mim
Que eu vou te mostrar
O que eu custei a entender
E a encontrar
Tem gente que fala demais
Tem gente que só sabe ouvir
Tem gente que nasceu pra rir
Tem gente que rir pra não chorar
Tem gente que chora de rir
Tem muita gente feliz

Ei mocinha, preste atenção
Que eu vou te ensinar
O que eu um dia escutei
E sempre guardei
Tem gente indecisa
Tem gente que sabe escolher
Tem gente que espera demais
Tem gente que gosta de gente
Tem gente que gosta da gente
Tem gente que só olha pra si

Ei mulher, vem me seguir
Que eu vou te guiar
Nos caminhos que acostumei
A andar
Tem gente indigente
Gente negligente
E muita gente descontente
Gente deprimente
Gente sorridente
Feliz mesmo sem dentes

Ei senhora, me dê sua mão
Pra atravessar
Perpendicularmente os caminhos que outrora
Já foram meus
Tem gente nua porque quer
Tem gente nua por dinheiro
Tem gente nua por não ter o que vestir
Passando fome com dinheiro
Buscando um corpo perfeito
Regime de pobre dói em mim

Gente que não sabe assinar
Gente que não sabe votar
Gente que mal sabe falar
Tem gente que se expressa
Gente que nasceu pra brilhar
Tem gente que é pra casar

Agora sou

(André Rodrigues)


Eu aqui tão só

Tentando resolver o que vou te dizer

Quando achar melhor

Te encarar de frente, mostrar

Já não sou eu

Aquele que um dia você viu, assim...

Querendo te querer, mas sem te entender

Tentando só ser feliz


Eu, te vendo assim

Tentando entender o que ainda vou dizer

Sem pestanejar

Olhando para mim, esperando-me dizer

Sou eu, aquele que te quis pra mim, assim...

Buscando te atender, vendo você crescer

Fazendo você sorrir

Infinitivo

André Rodrigues

Olhar, pensar, tentar, falar, rir, sorrir
Encostar, tocar, sentir, abraçar e beijar

Amar e compartilhar, organizar e construir, crescer e planejar
Criar, educar, acompanhar, formar e proteger, apoiar e...

Viver e tentar ser feliz
Aproveitar já que diz
Que o tempo já passou
E é hora de parar pra pensar
E sair, passear, conhecer, aprender
Repousar, esquecer e padecer...

E apostar que o céu está lá
E que seja um lugar
Onde eu possa te encontrar

Dois pontos: ponto ou reticências?

André Rodrigues

Entre tantos versos escritos
Tantos trechos desconexos
Rimas feitas e não feitas
Tenho certeza!
Não fiz sozinha
Escreveram comigo
E não olhei para isso

Não me culpem
Eu não fiz tudo sozinha
Mas é que o ponto final me escolheu como dona
E tudo que eu fiz foi usá-lo

Passei um tempo com ele na mão
Mas aquele ponto indeciso
Queria mesmo um final
E depois de usado agora está em paz
Encontra-se repousando
Numa página virada e esquecida
Em qualquer lugar
Esquecido lugar
Ponto...